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Adoção tardia: uma conta que não fecha

Quanto mais velha a criança for, mais longe de ser escolhida por alguma família está.

Por traz da magia envolve o Natal e sua Véspera, 24 de dezembro traz o Dia do Órfão - que agrega uma triste realidade! Segundo informações da UNICEF, mais de 3,7 milhões de crianças brasileiras são órfãs de pai ou mãe. Fato que coloca o Brasil na nona posição entre os países em desenvolvimento com o maior número de órfãos no mundo. Por outro lado, apenas 6.585 crianças estão disponíveis para adoção no país. Desses 89% se encaixam na chamada adoção tardia, considerada a partir dos três anos de idade – dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Sempre lembrando que, mais de 30 mil pais que estão na lista de espera para adotar seus filhos, porém crianças brancas e de até dois anos de idade, são as mais requisitadas.

“A adoção tardia de órfãos no Brasil expõe o drama de crianças e adolescentes que sonham com a esperança de encontrar um lar com uma família que traga amor a eles. O que torna a situação ainda mais preocupante é que, quanto mais velha a criança for, aparentemente, mais longe de ser escolhida por alguma família está”, alerta a advogada Luciane Lovato Faraco, especialista em Direito Civil e sócia da Limongi Faraco Advogados.

Enquanto isso, a tabela do relatório de famílias pretendentes à adoção de crianças mais velhas é desproporcional à demanda. No total, há 35.679 famílias aptas a adotar uma criança ou adolescente. Para as crianças com três anos, por exemplo, há 7.181 famílias no Brasil esperando para adotar. Já quando a pretensão é para a adoção de adolescentes de 14 anos, a procura baixa para 51 famílias em todo o território nacional.

Entendendo a adoção tardia

De acordo com a advogada, o procedimento para a adoção é feita em cerca de oito meses. Entretanto, até que o órfão seja adotado há um longo processo a ser percorrido pela família interessada em adotar, por exemplo, passar por entrevista com psicólogos e traçar o perfil da criança ou adolescente desejado. “O pretendente é avaliado, apresenta documentação necessária exigida por lei e participa de curso de formação. Seria uma forma de preparar o mínimo necessário para que o interessado receba a criança que é de outra família. Aí o juiz sentencia dizendo se a família está preparada ou não para adotar”, explica Luciane Faraco.

Mesmo após a adoção, a advogada ressalta que há um acompanhamento para saber se a criança está se adaptando à nova família. “O judiciário sempre prioriza o melhor para a criança. Todos nos pautamos nesse sentido. Após a adoção, a psicóloga ou assistente social faz visitas na casa da família para avaliar como está adaptação. E a criança tem direito de ser ouvida e entender que lá não houve adaptação e, então, ela não fica com a família”, informa.

Passo a passo para a adoção fonte: site do Conselho Nacional de Justiça